QUATRO ESTRELAS
São três estrelas no céu:
A menor lembra saudade;
A do meio, esperança;
A maior. . . felicidade.
E a maior felicidade
É rever a cada instante
Na Terra uma estrela-rosa.
— Na estrela, um brilho constante;
— O amor constante, na rosa.
Vinte pétalas de amor
Com mais uma de ternura
São a idade dessa flor.
Vinte lágrimas sem dor
Com mais uma de alegria,
Rosa-Estrela-Melodia.
São três estrelas no céu.
Na Terra uma Estrela-Rosa
Uma Rosa angélica.
Rosa angélica.
Rosa angél. . .
Rosangel...
GLORIOSA ESCALADA
Quando entrei no Jardim de Infância das Dores,
Vaga noção tinha do que era Maldade.
E sobre Tristezas, Infelicidade,
Muito trouxe o Primário dos Desamores.
Fui admitido, com louvor e honraria,
No Ginásio da Desdita e do Tormento.
Fiz Técnico de Desgosto e Sofrimento,
Sempre com bom conceito em Melancolia.
Passei no Vestibular das Amarguras.
Cursei a Faculdade de Desventuras,
E só de Mágoas, diplomas tive dois!
E enfim, vou efetivar minha cultura:
Entrei na Universidade da Loucura!
Porque Freud explicou sim, mais. . . e depois!?
MEUS DOMINGOS DE PRATA!
Quantas saudades de meus Domingos de Prata!
Da breve fase cheia de felicidade,
Que marcou minha existência com densidade
E pouco a pouco quer cair no esquecimento.
Quando um sentimento é calcado na pureza,
Embora a mente o torne matéria extinguida,
E semiconsciência teima em dar-lhe vida,
E fá-lo sempre presente a qualquer momento.
Eu me lembro então de meus Domingos de Prata!
Das manhãs de missa, ao lado de Deus e dela;
Unindo meus sonhos e contrições com os dela,
Fazendo do amor-amizade nossa imagem.
Recordo as matinês assistidas, bem juntos;
Recordo as tardes de passeios na Avenida,
Mãos-dadas, beijos não dados, paixão querida,
Vendo o sol dar vez à lua em nossa homenagem!
Minha mocidade! Meus Domingos de Prata!
Relembro os bailes com nós dois em par constante,
Rosto-colado, olhos cerrados e o semblante
Transformado em festiva efígie do prazer.
E o fim da noite. . . os olhos dela ainda nos meus;
E o seu sorriso ainda marcando sinfonia,
E o boa-noite murmurado com alegria,
Perpetuando a inocência do bem-querer.
Nunca esquecerei os meus Domingos de Prata,
Que foram tão poucos mas foram de amor puro.
Meu coração ainda não se encontrava escuro,
Tomado do sofrimento que aos seres mata.
Quando ouço falar que um sentimento morreu,
Me calo na fé de que o meu jamais foi morto.
E passo os meus dias em jovial conforto,
Lembrando os meus felizes Domingos de Prata!
SAUDOSO AMOR
Sempre que de novo passas por mim,
Sinto dentro d'alma angústias sem fim
E todo o semblante a empalidecer.
O nosso amor tão pouco não durou?
Não foi uma ilusão que já passou?
Por que ao te avistar fico a sofrer?
Creio que loucamente te amo ainda
E que jamais esta lesão se finda,
Importunando-me por toda a vida.
Se recordo teu mavioso olhar,
Beleza, em outros, não consigo achar,
Porque tinhas brilho no teu, querida!
Oh! Minha pretérita namorada!
Como posso esquecer tua voz divina,
Carinhosa, angelical, feminina,
A soar como em poesia rimada
Dentro de minha mente apaixonada!
Enquanto vivo, versifico o amor,
Inspirado na minha grande dor,
Fruto dessa tua saudosa querença.
Sei que fadado a amar-te viverei;
Mas um dia, para o Além partirei,
E nunca mais vou sentir tua presença!
VIVER É PERDER AMIGOS
Você não vai, meu bem! Você não vai!
Sou eu e o mundo e a vida quem pedimos!
Escute a prece que de dentro sai,
Ouça o som da tristeza que sentimos!
Você não vai! Você não pode ir!
Não ficarei sem o calor amigo
Do seu olhar fazendo-me sorrir,
Do seu sorriso ao conversar comigo!
Você não vai! Fique! E pra sempre seja
A mesma amiga, frágil, poderosa,
Que na pura e humilde amizade, almeja
Somente avançar pela estrada rosa!
Fique! E seja a minha... a nossa ternura!.
Seja a luz de todo o nosso caminho!. . .
Seja o amor!... a vida!. . . Seja a doçura!...
Seja a menina a transbordar carinho!. . .
Seja imagem de alegria tamanha!. . .
Seja em nosso espaço uma flor-mulher!. . .
Ou seja um anjo que nos acompanha!. . .
Seja um sonho!. . . Seja o que Deus quiser!...
NON SENSE
Passo, e não posso, e não quero passar;Vivo, e não vivo, e viver é preciso;
Amo, e não amo, e odeio este andar
De viver indeciso.
Sinto, e não sinto o que sentem vocês:
Dizem saber e não sabem o sabor
Que existe na incerteza em meu talvez
Quando falo de amor.
Luzes mortas, energias sem força;
Opacos lumes, por mais que se torça
Não saberão jamais
Porque é que passo, vivo, amo e sinto,
E sou sincero e ao mesmo tempo sinto,
E não explico mais!...